Dia da Visibilidade Trans: pessoas transgêneros do Alto Tietê lutam contra o preconceito e a discriminação

Brasil é o país que mais mata pessoas transgenêros, segundo a Rede Trans Brasil. Projeto social visa ajudar pessoas trans a conseguirem um emprego. Dia Internacional da Visibilidade Trans é celebrado nesta segunda-feira
O Dia Internacional da Visibilidade Trans é comemorado nesta segunda-feira (31). A data é dedicada à conscientização sobre a discriminação enfrentada pela população transgênero. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans, segundo a Rede Trans Brasil.
Kimberlly Francielly, mulher transexual, moradora de Itaquaquecetuba, conhece bem o que é discriminação. Após enfrentar muito preconceito na adolescência, hoje ela é influenciadora nas redes sociais e compartilha o seu dia a dia e as etapas da transição de gênero, com os seus quase 60 mil seguidores.
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“Eu comecei a gravar vídeo, mas eu não sabia a repercussão grande que ia dar, entendeu. Eu comecei a gravar meu dia, minha rotina […] Depois disso, que eu comecei a crescer, eu vi que tinha muitas trans que se inspiravam, que estavam ali vendo o meu dia a dia, e sabem que podem vencer, mesmo existindo esse grande preconceito que o mundo vive hoje”, relatou Kimberlly.
No entanto, nem sempre Kimberlly se sentiu livre para ser quem é. Quando estava no ensino médio, ela teve que interromper os estudos devido ao preconceito. Justo no momento em que estava descobrindo sua transição.
“Eu sofri um bullying, sim, tinha aquela coisa: ‘ah, viadinho’, ‘ah, seu gay’[…] Ainda mais que no meu tempo, a gente sofria e tinha que engolir calada. Muitas das vezes, você rebate e a pessoa quer te bater”, relembrou.
Já Calleb Mariano Silva de Sobral, homem trans, que mora em Ferraz de Vasconcelos, contou que nunca sofreu discriminação por não se identificar com o gênero biológico, em seu tempo de escola ou durante o período que cursou ciência da computação. Mas enfrentou dificuldades no processo de retificação de dados.
Ele recorda que, durante o processo seletivo para uma vaga em um curso, passou por um constrangimento.
“Eu vou fazer um curso de segurança e preciso de toda a documentação encaminhada para a Polícia Federal, e a moça não soube o que é a certidão de inteiro teor, que tem todas as informações de mudança. E aí, eu acho que no outro dia, ela me mandou mensagem. Ela pediu desculpas, que ela notou que já tem uma averbação do juiz, porque ela estava me pedindo uma autorização do juiz. Eu fiquei tipo: ‘como que eu vou pedir uma autorização sendo que eu já tenho a autorização do juiz’?!”, explicou Sobral.
Hoje o curso na área da computação está trancado. Sobral deseja se formar em educação física, quando estiver em melhores condições financeiras. A escolha é porque ele acredita que a educação pode ajudar outras pessoas a passarem pelo processo de transição.
“Eu almejo mudar vidas, que nem o exercício físico mudou a minha vida. Então, eu falo que o conhecimento parado é que nem água parada, vai virar lama. Então, você tem que passar pra frente […] e fazer o bem pras pessoas”, destacou.
Neste dia da visibilidade trans, Kimberlly espera que as pessoas trans sejam mais respeitadas na sociedade.
“O que falta é mais empatia e amor ao próximo […] Às vezes, ninguém é obrigado a aceitar aquelas pessoas, mas só ter o respeito por ela e saber que ela é um ser humano e que ela carrega sentimento já basta”, desabafou.
Mercado de trabalho para trans
O EducaTransforma é um projeto social que ajuda profissionais trans a encontrarem uma oportunidade no mercado de trabalho. Através de uma plataforma na internet, as empresas podem cadastrar as vagas disponíveis e as pessoas trans que estão em busca de um emprego, podem criar um perfil profissional com suas qualificações.
“São mais de 2 mil pessoas cadastradas e as organizações com suas vagas e oportunidades. Nós possibilitamos isso de forma gratuita, tanto pras pessoas trans quanto pras organizações”, explicou Noah Scheffel, fundador e CEO do EducaTransforma.
Para se cadastrar, é só entrar no site da Educatransforma, preencher as competências e os marcadores sociais autodeclarados do candidato. Já as empresas podem encontrar os candidatos por meio de uma busca por filtro que permite encontrar pessoas trans de determinadas áreas de atuação, formação, cidade ou estado.
Saiba como se cadastrar
“A gente recomenda que as pessoas preencham todo o perfil, porque é através desse perfil que as pessoas vão ser encontradas pelas empresas. Que as pessoas que são recrutadoras de uma empresa também preencham esse perfil, para ter esse encontro, entre pessoas recrutadoras e pessoa talento que está em desenvolvimento profissional”, destacou Scheffel.
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